Geller diz que taxação do agronegócio vai ‘matar’ o que dá certo

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Neri Geller, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura Carlos Silva

Na lista dos poucos representantes do agronegócio que conseguiram ser eleitos em outubro para atuar no Congresso Nacional em nome de Mato Grosso, Neri Geller (PP) é contra a taxação do setor. Para o deputado federal eleito, antes de cobrar mais impostos, o governo do Estado precisa enxugar gastos e dar mais eficiência à aplicação dos recursos que já arrecada.

Em entrevista à reportagem de A Gazeta, Neri Geller defendeu que taxar o agro inviabilizaria o setor. O argumento foi o mesmo apresentado por outros representantes dessa atividade econômica que estiveram na Assembleia Legislativa nesta semana, debatendo as duas propostas já apresentadas.


 

A primeira delas cria uma alíquota de 3%, semelhante a que é paga pelos pecuaristas. A outra repete um modelo já adotado em Mato Grosso do Sul e que limita a exportação. De acordo com ela, 50% do que é produzido teria que ser destinado ao mercado interno, onde o ICMS é cobrado.

 

“Mato Grosso é o único Estado que cresce a receita de forma acelerada. Isso acontece por causa da produção. Tributar, taxar é matar o que está dando certo. Não é uma boa saída. É uma decisão que não pode ser ideológica e nem política, tem que ser técnica”, disse Geller, que defende que a Lei Kandir seja revista para que o Estado receba uma compensação maior através do Auxílio Financeiro de Fomento das Exportações (FEX).

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Prisão   

 

Ex-ministro da Agricultura, Neri Geller também falou sobre sua prisão no início de novembro, durante a Operação Capitu, um desdobramento da Lava Jato que apura supostos pagamentos de propina a parlamentares e servidores da Pasta.

 

O deputado eleito foi acusado de ter recebido um “mensalinho” de R$ 250 mil pago pela JBS. Segundo a Polícia Federal, quando sucedeu Antônio Andrade (atual vice-governador de Minas Gerais) como ministro da Agricultura, em março de 2014, Geller recebeu os pagamentos para favorecer ilegalmente a empresa. Em 2017, documentos relacionados ao esquema vieram à tona.

 

O parlamentar disse ter ficado chocado com a prisão, medida que, em sua avaliação, não tinha argumentos plausíveis. “Não critico a Polícia Federal ou a Justiça. Eles estão fazendo um bom trabalho. Tem muita coisa que tem que ser investigada e eu não tenho problema em ser investigado. O problema foi a forma que foi feito. Não precisava ter me prendido”.

 

Geller sustentou inocência. Disse que nunca se envolveu em nenhum esquema e que os principais delatores da Lava Jato afirmaram em seus depoimentos que ele não participou dos crimes. “Todos dizem que as ações comigo sempre foram muito republicanas”.


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