Menino de 9 anos se queima ao ajudar a apagar fogo na casa de vizinha com deficiência em Mato Grosso

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Foto: Arquivo pessoal

Gilberto Camargo Algaranha, de 9 anos, sofreu queimaduras na mão direita, na segunda-feira (26), em Cuiabá, ao tentar ajudar a mãe dele, Helena Camargo, de 41 anos, a apagar fogo na casa de vizinha que tem deficiência e toma remédios controlados.

De acordo com o relato da mãe do garoto, os dois estavam sentados na sala quando ele sentiu cheiro de queimado, foi até o portão e percebeu que a fumaça saída da casa de uma vizinha.

“Ele gritou: mamãe, vamos ajudar a Cleide, o fogo é na casa dela”, contou.


#Patrocinador

Segundo a mãe, a vizinha havia colocado ossos para cozinhar e dormiu. A panela esquentou demais e o óleo começou a pegar fogo.

“Como ela toma remédios fortes, não acorda tão fácil. Ela não percebeu o fogo e ia morrer com tanta fumaça”, disse.

Helena tentou acordá-la várias vezes, mas não conseguiu. Desesperada, ela pegou a panela pelo cabo e, ao passar pela porta para jogá-la no terreno baldio, ao lado, Gilberto, na tentativa de ajudar, esbarrou a mão direita na panela.

“Na hora eu não sabia o que fazer, se ajudava meu filho ou jogava a panela fora. Tanto que parte óleo quente caiu no chão”, contou a mãe.

Enquanto a mãe jogava a panela para longe, o menino correr para casa chorando.

O marido de Helena, que estava dormindo na hora do incidente, acordou e chamou um motorista de aplicativo, já que o único meio de colomoção da família é o transporte coletivo e os dois levaram Gilberto para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Morada do Ouro.

“Ficamos desesperados e com medo de que o ônibus demorasse muito para passar, chamamos um Uber”, disse.

Ela contou ainda que o filho ficou se sentindo culpado pelo que havia acontecido.

“Ele me viu chorando e pedia perdão o tempo todo. Mas, eu estava chorando por ele, com medo de que fosse uma queimadura muito grave e pensando que eu poderia ter prejudicado meu filho”, lamentou.

“Eu disse que ele tinha salvado a vida dela, porque ela ia morrer daquele jeito”, lembra.

Ao ser internado e receber atendimento na UPA, as pessoas que ficaram sabendo do ocorrido também o parabenizavam e, assim, ele se sentiu mais tranquilo.

A vizinha

A mulher de 38 anos mora praticamente ao lado da casa de Gilberto. Ela tem deficiência e mora sozinha, contando apenas com a ajuda dos vizinhos.

A família de Gilberto se mudou para o Bairro Nova Canaã há dois meses e, desde então, tem dado suporte para a vizinha.

“Ela não tem geladeira e pede para guardar as coisas que ganha dos outros, na minha geladeira. Eu a ajudo porque ela não tem ninguém”, relatou Helena.

No dia do incidente, a vizinha tinha ido até a casa do Gilberto para buscar os ossos que tinham sido guardados na geladeira da família.

Solidariedade

Helena disse que tem tentado ensinar para Gilberto, o filho mais novo, valores como solidariedade e respeito. Apesar da crise financeira que a família vem enfrentando, ela afirmou que ajuda como pode.

Helena está desempregada há um ano, em decorrência de problema de saúde. Está tentando auxílio saúde pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), mas as notícias não têm sido boas.

“No dia que tudo isso aconteceu, eu tinha acabado de sair do INSS porque fui fazer uma perícia e achei que tudo ia dar certo, mas me disseram para aguardar”, contou.

A família é de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá e se mudou para capital para que o marido de Helena pudesse ficar mais próximo do trabalho.

“Vamos ter que voltar porque aqui pagamos aluguel e não conseguimos alugar nossa casa lá e a situação está ficando mais difícil”, explicou.

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