Fábio Moreno diz que Fluminense precisa de protagonismo: “Não é hora de inventar”

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Lucas Merçon/Fluminense FC

Fábio Moreno concedeu entrevista coletiva, nesta sexta-feira, no CT do Fluminense, às vésperas de um desafio, como definiu, gigantesco. Escolhido pela direção tricolor para comandar o time contra o América-MG, partida que vale a permanência na Série A do Brasileirão, o treinador interino confirmou que tem o estilo de Abel Braga e defendeu que o momento exige protagonismo da instituição sem invenção dentro de campo.

Moreno substitui Marcelo Oliveira, demitido na quinta por conta de uma sequência de oito jogos sem vitória e sem marcar gol. Após a eliminação na semifinal da Sul-Americana, a temporada 2018 se resume a evitar o rebaixamento.

– Recebi a notícia ontem (quinta-feira). Os resultados não são os esperados, estamos com dificuldade na reta final. Após a comunicação ao Marcelo, a direção me chamou e me avisou que eu comandaria o time. Eu por trabalhar com Abel, sigo essa filosofia. Não dá e não é hora de inventar muito. O trabalho é entrar na cabeça do jogador, fazer o simples e um grande jogo – disse Fábio Moreno.


O tempo de trabalho é curto. Auxiliar técnico permanente do clube e observado de adversário na antiga comissão de Abelão, Fábio terá dois treinos. O de sexta e o de sábado. Ele confirmou ter conversado com o antigo comandante sobre o desafio que tem pela frente.

– Não foi porque eu fui escolhido para comandar o time que passei a falar com Abel. Falo sempre, assim como com outros. Ontem, por exemplo, falei com o Odair, do Inter. É claro que, por eu ter proximidade, a gente conversa. Mas ele tem a vida dele, eu a minha. Eu até. Ele ficou contente, ressaltou a grande responsabilidade que é estar à frente do time. Ele me pediu que eu fizesse o que eu sei, que colocasse em prática os meus conhecimentos – completou Fábio.

Pela circunstância, o trabalho irá se concentrar no aspecto psicológico. A ideia é recuperar a confiança do elenco. Ele não adiantou escalação e tampouco esquema tático a ser usado – Marcelo variou entre o 3-5-2 da época de Abel e o 4-3-3.

– Posso dizer que conhecemos o adversário e sabemos o que temos de fazer. Não importa o adversário, mas o Fluminense precisa se impor. O adversário tem de sentir o peso de enfrentar o Fluminense. Nestes dois dias, vamos tentar colocar na cabeça do jogador que temos de ser protagonistas. O momento que passamos é difícil, mas vamos trabalhar para isso. Montar uma estratégia para alcançar o objetivo – encerrou o comandate.

Para permanecer na elite, o Fluminense precisa vencer ou empatar com o América-MG. Caso seja derrotado, necessita de um entre dois resultados: o Vasco perder para o Ceará ou a Chapecoense não ganhar do São Paulo.

A íntegra de coletiva

Trabalho psicológico
Antes de atleta, o jogador é ser humano. Ele é suscetível a questões externas. Durante a semana se treina, se mostra o que se quer ou até se muda. Mas nem sempre isso é suficiente. Por ser auxiliar, se tem tempo de se conhecer mais o jogador. É com você que ele se abre, que ele fala dos problemas, que ele se aproxima. Por isso, o auxiliar é fundamental. Como desenvolvi isso durante dois anos, vou tentar fazer isso. Dar confiança de que eles podem. Quem viu os últimos jogos percebeu que os atletas se esforçam e têm condições, mas pelo momento vivido eles não conseguem. Precisamos estar juntos. O momento não é oportuno para fazer pedido ao torcedor, mas será necessário apoiar. Não é necessário mais cobrar, tudo já foi cobrado, agora é união. Vamos lutar até o final.

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Ibañez, Airton e Gilberto poderão ficar à disposição?
Todo mundo que tiver condição física, ou seja, quem tiver apto a participar será inserido no contexto. A escolha respeitará a história de todo mundo. Não posso precisar se os jogadores que estavam machucados terão condições. Vamos avaliar todo mundo.

Fará grandes mudanças?
Toda a vez que se troca o comando da equipe… a vontade de quem assume é mostrar o serviço. A gente não pode errar na medida. Não tem tempo de reverter tudo, mudar tudo. Ao assumir, naturalmente, se tem ânsia de colocar em prática as suas ideias. Será preciso dosar.

Vai começar trabalho do zero?
Eu acho que a gente não precisa começar do zero. O Abel deixou, o Marcelo deixou. Todos que passaram aqui deixaram algo de bom. Então, o que tem de se fazer é colocar na cabeça do jogador que cada jogo é um jogo. Não tem como reverter o passado, mas podemos fazer um novo começo. Podemos fazer isso.

Qual o tamanho do desafio?
É gigantesco. O Fluminense não se encontra no lugar que deveria. A gente passou a temporada toda brigando por alguma coisa. No Carioca, estivemos a um passo de conseguir algo mais. Na Sul-Americana, batemos na semifinal. No Brasileiro, com a sequência negativa, perdemos a chance de ter algo melhor. A ideia é ajudar, colaborar para não brigar pelo rebaixamento. A queda significa uma série de dificuldades, como queda de receita. Sem falar a paixão do torcedor. Por tudo isso, sinto a responsabilidade que tenho. Mas também sei da competência e que o trabalho pode nos tirar dessa situação.

Abel irá ao jogo no domingo?
Eu acho que ele não vai. Ele assiste muitos jogos. É um cara estudioso. É incrível a capacidade dele de estudar e de se aprimorar. Ele vai torcer e acompanhar. Sempre que pode, dá a opinião dele.

Integrará a comissão de Abel em 2019?
Não dá para pensar nisso ainda. Estou focado no jogo de domingo. Queremos vencer. Respeito o América-MG e o Givanildo. Porém, o Fluminense é muito grande. A torcida exige a vitória. Depois do jogo, em dezembro, vamos ver. Eu não sei o que vai acontecer. Penso em tirar o Fluminense dessa situação. Apenas isso.


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