Defesa de Neri Geller reforça inocência

Defesa de Neri alega arbitrariedade e pede o fim da prisão do deputado eleito ao STJ

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Depois de ser interrogado na sede da Polícia Federal de Rondonópolis (212 Km ao sul de Cuiabá) nesta sexta-feira (9), o ex-ministro da Agricultura, Neri Geller, eleito deputado federal pelo PP no pleito deste ano, passou a noite numa cela comum da Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, já que não possui formação em nível superior.

 


Na operação, além de Geller também foram presos o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e mais 13 pessoas suspeitas de envolvimento num suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

 

Sobre o depoimento, o advogado Flávio Caldeira Barra, responsável pela defesa de Geller, explicou que ele colaborou com as informações que sabia. Entretanto, enfatizou que a acusação de envolvimento do ex-secretário no esquema investigado pela PF, “é totalmente descabida”.

Advogado Flávio Barra, responsável pela defesa de Neri Geller, tenta reverter a prisão temporária do deputado eleito

 

Na manhã deste sábado (10) a defesa ainda não tinha conseguido ter acesso ao inteiro teor da acusação, uma vez que o pedido de habilitação nos autos, feito ainda na sexta-feira junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), estava pendente de uma resposta.

 

Dessa forma, explica Flávio Barra, o habeas corpus que está sendo elaborado para ser impetrado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ainda não foi finalizado e nem protocolado na corte superior. Ele acredita que até o final da tarde deste sábado o HC será protocolado e a expectativa é que uma decisão seja proferida ainda neste fim de semana para colocar Geller em liberdade.

 

Espanto com acusações e falta de provas

Ele [Geller] se mostrou espantando, inclusive com alguns questionametnos feitos para ele”, disse o advogado sem entrar em detalhes sobre o teor das perguntas, que, segundo ele, vieram prontas de Minas Gerais, onde a Polícia Federal deflagrou a nova fase da Operação Lava Jato.

 

Flávio Barra garante que no bojo das investigações não tem elementos que, de fato, demostrem o envolvimento de Neri Geller com o esquema de propina investigado pela Polícia Federal. As investigações apontam para uma organização criminosa envolvendo o grupo JBS que atuava na Câmara dos Deputados e no Mapa, integrada por empresários e executivos da empresa.

 

“O Geller ocupou Ministério entre 2014, mas o setor agrícola sabe do posicionamento extremamente coerente e honesto dele que sempre pautou sua vida pública em atos que beneficiaram o setor como um todo, sem buscar qualquer tipo de intereresses pessoais”, afirma o advogado ressaltando que seu cliente foi citado uma única vez.

 

Outro ponto enfatizado pela defesa é que Geller não foi indiciado por nenhum crime no decorrer das investigações. Dessa forma, a prisão preventiva decretada pelo TRF-1 é motivo de “espanto e surpresa” por parte do ex-ministro e também do advogado.

 

O Neri não é indiciado. Foi simplesmente um declarante. Ele foi prestar informações, não tem indiciamento”, enfatizou o advogado. Quando questionado se o avanço das investigações pode resultar no indiciamento de Geller, ele faz uma ressalva. “Pode vir a ser indiciado, entretanto dentro direito penal quando a pessoa não é indiciada, é tratada como testemunha”, reforça o jurista.

 

Por fim, a defesa volta a pontuar que ainda não teve acesso aos autos e por isso sabe não qual elemento subsidiou o decreto prisional de forma preventiva. “Mas nesse momento o método aplicado sem intimação e chamada para prestar esclarecimentos antes, nos causa um pouco de espanto”, diz Barra.





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