E a história de Lucas do Rio Verde continua

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“Hoje é fácil criticar, está tudo prontinho”, disse Gessi.


 

Trazemos hoje em nosso caderno ‘Especial – Lucas do Rio Verde’ algumas experiências de mais uma moradora de nossa cidade, que veio para cá numa época bastante difícil, apesar de Lucas já ter crescido um pouquinho naquele ano.

Gessi Mendes da Silva, Guarda Patrimonial de 52 anos, casada com Arnaldo Pereira da Silva e mãe de Willian (in memorian), Anderson e Eduardo, nos contou alguns dos muitos episódios aqui vividos. Ela e sua família vieram de Sorriso para Lucas em 17 de julho de 1994, como lembra Arnaldo, no dia da final da Copa do Mundo entre Brasil e Itália, quando Baggio perdeu o pênalti contra o Brasil. Os meninos tinham respectivamente 8, 6 e 3 anos de idade.

Ela nos contou sobre o poeirão, o calor, a energia elétrica ‘tocada’ a motor e que funcionava apenas durante o dia, sobre as mercadorias de qualidade inferior do Cobal (mercado do governo federal), e tantos outros fatos já relatados por outros entrevistados nesse caderno Especial. Porém, há alguns acontecimentos muito interessantes que ainda não foram narrados e fazem parte da história de nossa cidade, e da gente que vive aqui há tantos anos.

Bem, como estávamos contando, Gessi e sua família chegaram no dia da final da Copa do Mundo de 1994, e como não encontraram outro lugar para morar, alugaram uma peça que ficava atrás da rodoviária, que naquela época estava situada na esquina da Avenida Goiás, onde hoje é a loja Eletromóveis Martinello. “O aluguel era caríssimo, e era um cantinho podre. Uma sujeira, que dava nojo. E ainda tinha que dividir o banheiro. Não tinha casa pra alugar”, contou Gessi.

E Gessi continua: “Bonito foi quando chegou o tal do celular, o tijolão (com antena e flip) que até hoje eu tenho guardado. A Kika lá da Lucas Cell me vendeu, só eu, o Ronaldo da Dengue e mais uma pessoa tínhamos celular na cidade. Aquilo foi a maior festa. A primeira evolução foi essa”.

A cidade crescia a passos largos. Ela conta que em 2001, quando foi visitar o local onde construiria sua casa (em que mora há 17 anos), na baixada da Avenida Mato Grosso passava-se em uma ‘pinguela’, e no decorrer de 1 ano, surgiram várias construções na cidade, e a pinguela foi retirada. O terreno onde construiu foi resultado de uma troca “pau a pau” por outro terreno no bairro São Domingos, em Sorriso.

Nessa época, Gessi e Arnaldo tinham um bar de madeira (que funcionou por 6 anos) em frente ao Cartório do 2º Ofício, na época, no centro da cidade, na esquina da Avenida Paraná com a Rua Santa Fé. “Era uma época de muita falta de energia, os motores eram ligados das 8 às 11 horas da manhã, e do meio da tarde até às 20:40h, mais ou menos. Para quem ‘tocava’ bar era difícil, as bebidas precisavam gelar. E a gente ajudava a pagar o diesel para os motores funcionarem. Eu chorava noite e dia”, conta ela. E dispara: “Estamos num sonho, se ver o que a gente passou lá atrás. Eu falo sempre que o sonho que a gente vive em Lucas do Rio Verde, que para os outros não está bom, se eles repetirem, voltar lá nesses anos quando eu cheguei, a diferença é muito grande, a qualidade está muito boa”.

Gessi destacou como uma das histórias tristes e que jamais vai esquecer acontecidas aqui “a história do Padre Antônio (conhecido como Padre Preto), que foi expulso da cidade em 1998, acusado de pedofilia. Nem deu tempo dele se defender. Nunca ficou provado que ele tenha feito nada, mas quando foi feita a acusação, rapidamente apareceu alguém com um carro e o levou às pressas para Cuiabá, para que ele fosse embora de volta para Chopinzinho – PR. Poucos dias antes ele tinha vindo em nossa casa tomar café, e falou dos muitos projetos que ele tinha para Lucas do Rio Verde. Eu não acredito que ele tenha feito isso”, disse Gessi.

Outro caso que Gessi destacou aconteceu em 2005, o apagão por conta da queda de três torres de energia entre Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, queda essa causada por sabotagem. Os parafusos que seguravam as torres foram cortados. Várias investigações foram feitas, mas não houve identificação do(s) autor(es) da sabotagem.

O episódio mais triste de sua vida e de sua família foi a morte de seu filho primogênito, Willian, então com 23 anos, em 2009, vítima de um acidente de trânsito, a uma quadra de sua casa, no bairro Rio Verde. Um senhor de caminhonete vinha pela Rua Guaíra e atravessou a Avenida Rio de Janeiro em alta velocidade, pegando o motociclista de cheio, arremessando-o com violência contra o muro de uma casa na esquina. Foi uma comoção muito grande, pois o rapaz era muito bem quisto e bastante conhecido na cidade. Com grande saudade, Gessi lembrou de muitos momentos de alegria em família, e mencionou as festas juninas que aconteciam no Colégio Agrícola, em Itambiquara, festas que Willian também participou.

Por fim, Gessi revelou que foram muitas emoções vividas ao longo desses anos em Lucas do Rio Verde. Ela teria muitas outras histórias para contar, mas que ficariam para uma próxima ocasião. Vá juntando as recordações que nós aguardamos, Gessi…

 

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