Sistema de radar pode reduzir impactos na Baía de Guanabara

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Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) apresentaram hoje (10) sistema desenvolvido em parceria que pode contribuir para reduzir os impactos na Baía de Guanabara. O sistema utiliza dados coletados por radar marítimo com frequência de Banda X, usada em grandes navios. Participaram da apresentação representantes da Marinha, órgãos ambientais, universidades e empresas privadas.

O coordenador da pesquisa, meteorologista Fábio Hochleitner, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe, disse à Agência Brasil que, por meio da solução de modelos matemáticos e computação de alto desempenho, são gerados parâmetros baseados em informações de um radar de Banda X. “A partir desse modelo matemático, os pesquisadores podem obter parâmetros físicos e ambientais, seja da superfície do mar, seja detecção de lixo e uma série de outros conhecimentos”.

Projeto-piloto


A Baía de Guanabara vai servir como projeto-piloto para que os pesquisadores da UFRJ e da UFF possam fazer experiências e ver a demanda pelas soluções por parte dos interessados em resolver problemas da região em áreas de logística, transporte, poluição e contaminação das águas. “A gente resolveu criar esse projeto-piloto olhando para a baía, visando criar conhecimento dessa região, além de um sistema integrado que possa gerar informações que deem subsídio para uma série de aplicações”.

Entre elas, o pesquisador da Coppe destacou o monitoramento de tráfego de embarcações, trajetória e acúmulo de lixo, cálculo de ondas e correntes, dispersão de vazamentos de óleo e direção da maré e da circulação marinha. Outra finalidade pode ser a geração de energia. “Pode servir como embasamento para usinas de geração eólica instaladas na própria baía ou até mesmo equipamentos que geram energia por ondas”.

Hochleitner disse que o sistema de tecnologia de radar Banda X pode auxiliar o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara para fazer uma otimização do recolhimento ou da mitigação dos impactos do lixo ali depositados.

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Demandas

Os testes do sistema já foram iniciados. Agora, a ideia é ouvir as demandas dos setores público e privado para ver as aplicações que são do interesse dos usuários da baía. Os pesquisadores querem dar continuidade às pesquisas e ao desenvolvimento de soluções inovadoras e estão abertos para possíveis parcerias com órgãos públicos e a indústria privada. Apesar de terem descoberto várias aplicações para o sistema de radar, o objetivo dos pesquisadores é ver no que as empresas têm interesse comercial, ou seja, na aplicação prática das soluções.

“A gente quer que a pesquisa da academia chegue ao setor privado e às empresas públicas, como um retorno à sociedade e, ao mesmo tempo, que eles fomentem o próprio desenvolvimento do sistema. Há uma sinergia, onde todos se beneficiam”. Hochleitner disse que seria possível contratar pessoas para trabalhar nos laboratórios, como estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado, aos quais seriam concedidas bolsas remuneradas. “Você consegue fechar um ciclo de benefícios para todos”.

Alerta

O coordenador disse que o sistema pode ter outra aplicação em desenvolvimento, que é o uso das informações obtidas pelo equipamento para a detecção de chuvas intensas, que funcionaria como alerta antecipado para a população. “É possível utilizar esse equipamento para previsões de curtíssimo prazo de eventos extremos, como grandes tempestades, e servir de aviso à população, com alerta de algumas horas”.

Pelas características do equipamento, será possível criar uma rede de radares desse tipo para ajudar no monitoramento dessas informações. O radar está localizado no Instituto de Geociências da UFF, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, mas permite seu controle de maneira remota pelos pesquisadores da Coppe/UFRJ na capital fluminense.

Edição: Fábio Massalli