Criminoso que aplicava ‘boa noite cinderela’ em pacientes com câncer em MT e outros cinco estados é preso

Maior parte das vítimas eram idosos que aguardavam por atendimento em hospitais. Golpista já havia sido condenado a 120 anos de prisão por outros crimes.

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Um homem de 67 anos foi preso no dia 19 de setembro, em Alvorada do Norte (GO). Ele é suspeito de aplicar golpes em pacientes de hospitais, fazendo com que eles tomassem uma mistura conhecida como ‘boa noite cinderela”. Após as vítimas desmaiarem, o golpista fugia com os pertences delas.

Segundo informações, o homem é natural de Santa Catarina e está no crime desde a juventude. Ele já participou de sequestros, roubou bancos e por fim, aplicava golpes em pacientes de hospital diagnosticadas com alguma doença.


Em depoimento à polícia, ele confessou diversos crimes e disse que já foi condenado a mais de 120 anos de prisão.

“Muito dinheiro, nós peguemo dinheiro em saco. Meu passado é pesado, doutor”, disse ele.

Ele foi identificado como Francisco Francioni passou mais de 20 anos preso, mas 2011, conseguiu fugir. Desde então, era procurado pela Justiça.

No entanto, foi recapturado há 11 dias, usando nome falso, em Goiás.
Segundo a polícia, o golpista agia principalmente em hospitais especializados no tratamento do câncer.

Ainda segundo a polícia, ele entrava nas salas em que pacientes aguardam por atendimento, puxava conversa e mentia. Dizia que tinha se curado da doença graças a um remédio caseiro, feito com ervas medicinais.

Uma das vítimas do golpista foi um operador de máquinas de 52 anos, que estava em um hospital de Cuiabá, por causa de um nódulo no pescoço.

 

“Ele falou que era tenente aposentado do exército e que trabalhou muito com índios e, por isso, tinha uma receita de raizada que curava a doença em 15 dias.”, contou.

 

A conversa entre eles continuou do lado de fora do hospital.
“Dali a pouco, ele veio com um copo descartável, misturando um negocinho. No desespero da doença, peguei e bebi. Não lembro mais nada”, relatou o operador de máquinas.

Após desmaiar, Francioni fugiu levando o celular e a carteira da vítima, com dinheiro e o cartão do banco. Um prejuízo para o operador de máquinas, de R$ 7 mil. Além disso, Ênio ficou oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“Os médicos me acharam lá quase sem pulso. Ainda bem que me socorreram, se não, eu tinha ido”, comentou.

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O golpista também aplicou golpes, em Rio Verde (GO). Neste caso, a vítima aqui é um idoso de 63 anos.

Após fazer com que a vítima bebesse a mistura e fazer com ela desmaiasse, Francioni pegou a mochila o paciente. Dentro da bolsa estava a carteira do idoso, com R$ 500. A vítima só acordou depois de três dias.
O golpista se aproveitava especialmente de idosos. Outra vítima dele foi um morador de Rondonópolis,  de 84 anos.

O idoso estava em frente ao Hospital Regional quando foi convencido a tomar o suposto remédio recomendado por Francioni.
A vítima também desmaiou e caiu no chão. O criminoso fugiu com R$ 350 que tinha na carteira. O idoso ficou desacordado por três dias.

“Ele pensou que eu tinha mais dinheiro, mas eu não tinha. Ele queria pegar minha aposentadoria mas não tava comigo, tava em casa”, contou ele.
A polícia descobriu que o golpista aplicava o “boa noite, cinderela” em pelo menos seis estados, desde 2013.

Ao ser preso, Francisco Francioni alegou ser um trabalhador injustiçado, porém não soube dizer em que trabalhava. Interrogado novamente, ele confessou o crime.

A casa caiu, não tem como mentir”, teria dito ele.
Para a polícia, ele revelou a substância que usava para dopar as pessoas. Disse que não usava apenas medicamento.

“Aí, colocava um pouquinho de cachaça pra dar uma reação e colocava um suco de laranja ou alguma coisa”, disse o golpista à polícia.

 

Exame toxicológico
O médico toxicologista Anthony Wong examinou a substância usada pelo criminoso.
“Algumas pessoas, por causa da idade ou por causa de doença de base têm uma depressão mais profunda, então, consumir uma substância como essa, pode resultar num coma ou até numa parada respiratória”, explicou.

Mais vítimas
Francisco Francioni também enganou outro senhor de 69 anos, de Cuiabá, que tinha ido ao hospital fazer um exame de próstata. Depois de tomar o falso medicamento, a vítima foi com o golpista ao shopping.

Quando o idoso desmaiou, o golpista finge ajudá-lo, mas quando a equipe de socorro do estabelecimento chega, ele vai embora levando a carteira e uma pasta da vítima.
O caso foi ainda mais grave: ele morreu, três dias após ter ingerido a substância.

 


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