Felicidade

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Aula de felicidade! A princípio parece inconcebível, até soa estranho ouvir falar sobre ter ‘aula de felicidade’. Ou pensar que alguém comum como nós, com virtudes e defeitos, poderia nos ensinar a ser feliz.
Todavia, em uma sociedade globalizada pelo poder econômico, sustentada no que temos ou podemos ter e não no que somos, entendo que todo reforço ao ‘ser’ é bem-vindo.
Fiquei surpresa, positivamente, ao assistir uma reportagem sobre a aula de felicidade oferecida pela faculdade americana de Yale, uma das mais renomadas instituições de ensino superior dos Estados Unidos.
E o que mais chamou minha atenção foi o número de alunos inscritos para a primeira aula. Mais de 1.200, quase um terço do matriculados, lotaram o auditório da universidade para aprender com a professora Laurie Santos.
A disciplina, batizada de “Ciência da Felicidade”, é semestral, oferece duas vezes por semana e incluí a produção de textos, leitura teórica e até questionários. Há também uma prova escrita, dois projetos de pesquisa e um trabalho final sobre superação pessoal. Esse último precisa ser escrito com a conjugação do verbo na primeira pessoa.
Pelo que entendi, grande parte das aulas se concentra nos conceitos errôneos aos quais associamos a felicidade e em por que nossa mente gera esse tipo de pensamento. Quer dizer, por que pensamos primeiro no dinheiro quando somos levados a falar sobre o que poderia nos fazer felizes.
Ganhar na mega sema, ter o emprego dos sonhos, viajar para lugares paradisíacos, morar em uma cobertura… E por aí vai. Fazemos referência aos bens materiais mesmo quando conversamos descontraidamente a respeito do que queremos na vida, em especial quando somos jovens.
É o capitalismo arraigado na sociedade. Até a maneira como nos vestimos, o cabelo que temos, se usamos roupas e bolsas de marca influencia na maneira como somos vistos. Se alguém foge aos padrões é taxado de estranho, desmazelado.
A mulher, então, é a mais cobrada. Deve ser bela, magra e jovem por toda a vida. Quando conseguimos nos libertar das exigências próprias ficamos mais leves e livres. Depois dos 50, então. Ah! “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”
Ter dinheiro é bom, muito bom, mas está comprovado que ser rico não quer dizer o mesmo que ‘ser feliz’. Um exemplo disso é o significado e sinônimos da palavra felicidade: alegria, satisfação, contentamento, bem-estar, prazer, gosto, aprazimento, entre outros.
Hummm! E para os interessados achei que seria bom informar que não precisamos nos matricular em Yale para freqüentar as aulas. A UnB vai oferecer a mesma disciplina a partir de agosto. Também podemos começar sozinhos, as primeiras lições seriam amar a família, respeitar o próximo e priorizar o ser ao invés do ter.
ALECY ALVES é jornalista em Cuiabá





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