JOGO SUICÍDA
Dois casos ligados ao ‘jogo da Baleia Azul’ são investigados
DRCI já investiga pelo menos dois casos ligados jogo que tenta induzir participantes ao suicídio. Responsáveis podem responder por associação criminosa e lesão corporal.
Publicado em 17/04/2017 às 17:38 | Por Henrique Coelho, G1 Rio
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O polêmico ‘Jogo da Baleia Azul’, que tenta induzir virtualmente seus participantes ao suicídio através de 50 desafios, já tem pelo menos dois casos no Rio investigados pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Internet (DRCI).

Adolescente de Mato Grosso se mata após o ‘Desafio da Baleia Azul’

A delegada responsável, Fernanda Fernandes, explicou disse nesta segunda-feira (17) que o maior objetivo no momento é evitar mortes e identificar a autoria dos crimes. Em outros estados do Brasil, como Minas Gerais e Paraíba, já há casos confirmados e em investigação.

 

“Em outros estados, eles estão investigando como induzimento ao suicídio. Aqui, pretendemos, assim que identificá-los, indiciar por associação criminosa é por todos os crimes cometidos durante a participação no jogo”, explicou.

Segundo Fernanda, em um dos desafios propostos, os participantes, muitos entre 12 e 14 anos de idade, precisam marcar uma baleia azul na pele com uma faca. “Se isso for apurado, já entra o crime de lesão corporal para ser investigado.”

Ameaças

A delegada também explicou que participantes, ao tentarem sair do jogo, são ameaçados virtualmente, inclusive com as famílias envolvidas.

“As vítimas tentam sair e não conseguem. As crianças recebem algumas ameaças de morte ou até um tipo de pressão psicológica mesmo, e acabam cedendo (…) Alguém fala: ‘se você não se matar, a gente tem seus dados e vamos atras de você e da sua família'”, relatou.

Investigadores acreditam que o perfil dos administradores do jogo seja de maiores de idade, para conseguir coagir crianças e adolescentes a participarem.

CUIDADOS

1. Fique atento à mudança de comportamento

Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.

“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”, diz.

2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia”.

“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”, afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.

3. Abra espaço para diálogo

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”, afirma Elizabeth.

Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. “O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família.”

Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”

4. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores”, diz Elizabeth.

5. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.

Alguns colégios, já cientes da viralização do jogo, começaram a pensar em alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidade da vida. No Colégio Fecap, que fica na Região Central de São Paulo, essa ideia virou projeto escolar: a turma de alunos do ensino médio técnico de programação de jogos digitais começou a criar uma espécie de “contra-jogo” da Baleia Azul. “O jogo ainda está sendo produzido pelos alunos. Eles estão se reunindo e debatendo a questão. Serão 15 desafios de como desfrutar melhor da vida e celebrá-la”, conta o professor Marcelo Krokoscz, diretor do colégio.

Durante o curso, os estudantes aprender a aplicar linguagens de programação para criar jogos para computadores, videogame, internet e celulares, trabalhando desde a formação de personagens, roteiros e cenários até a programação do jogo em si. Segundo Krokoscz, a ideia é que o jogo, ainda sem prazo de lançamento, esteja disponível on-line para o público em geral.

Ele afirma que o objetivo é a ajudar os jovens a verem o lado bom da vida. “Impacta mais fortemente nossos alunos a partir do momento que eles mesmos criam um jogo a favor da vida.”