Renan Calheiros afirma que governo ‘já inviabilizou’ a reforma da Previdência
Publicado em 16/03/2017 às 07:49 | CenárioMT com Agência Senado
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Waldemir Barreto/Agência Senado

O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), afirmou em Plenário nesta quarta-feira (15) que o governo federal “já inviabilizou” a reforma da Previdência (PEC 287/2016), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. Para Renan, o governo tem encaminhado “equivocadamente” iniciativas importantes ao Congresso. Outros senadores do PMDB também questionaram a viabilidade do texto.

 

A manifestação de Renan veio no mesmo dia em que a bancada do partido tem uma reunião marcada com o presidente Michel Temer para tratar das articulações pertinentes às propostas de reformas legislativas e econômicas no Senado. A bancada do partido é a maior da Casa, com 22 parlamentares — ou mais de 25% do total de senadores.

 

Renan apontou que o governo age “precipitadamente” e “cria dificuldades” ao conduzir as suas principais reformas, como a da Previdência, a trabalhista e a tributária. O senador alertou que o país vive um momento “dramático” e precisa de projetos que se concretizem.

 

— O governo já criou muita dificuldade e, precipitadamente, já inviabilizou a reforma da previdência. Se continuar dessa forma, vai inviabilizar outras. O governo não pode encaminhá-las equivocadamente.

 

O líder do PMDB não quis explicitar quais seriam os obstáculos no caminho da reforma da Previdência, mas defende que a bancada tenha uma conversa “franca e aberta” com Temer para trabalhar por uma correção de rumos.

 

Outros senadores do partido expressaram ressalvas específicas em relação à condução da reforma da Previdência pelo governo. Para Valdir Raupp (PMDB-RO), a proposta elaborada pelo Ministério da Fazenda não será aprovada a menos que passe por reparos.

 

— A reforma veio um pouco dura. Seria impossível de ser votada dessa forma. O governo pede pressa e tem razão, o Brasil precisa desta reforma, mas não dá para votar do jeito que está — alertou.

 

Ele apontou trechos do texto como a equiparação entre homens e mulheres e as regras de transição entre os que poderiam interditar a sua aprovação.

 

A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) também disse que o projeto tem “desacertos” e espera que a reunião da bancada com Temer possa construir um diálogo para corrigi-los. Ela dirigiu uma crítica à articulação política do governo que, segundo avalia, não tem dado a devida atenção à base parlamentar.

 

— A importância que o Senado tem não tem sido dada pelo governo. Tem que haver espaço para que pensamentos e posições sejam expressados, e isso não está acontecendo – observou.